Páscoa é sempre tempo de reencontro com aqueles que por diversas razões (às vezes desculpas (des)confortáveis...) vão escapando à minha atenção.
Domingo fui lá, à minha terra natal, visitar a minha enorme família paterna.
A avó Helena está velhinha, tão velhinha que já quase nem me reconhece, que vive alheia ao mundo que a rodeia, o mesmo mundo que seguia atentamente, quer pelos jornais, quer pela TV, quer pelas conversas com a vizinhança... A avó Helena está seca... O corpo forte e esguio, de ancas largas e parideiras (como as minhas) e pernas magras e rijas, está agora contorcido e dobrado, enrolado, resignado...
Impressionou-me a facilidade com que lê sem óculos as letrinhas minúsculas dos livros de orações... Talvez as saiba já de cor de tantas vezes que as repete... Aquele livrinho é agora a vida dela...
Há um ano atrás a avó Helena ainda falava de tudo, caminhava mal, com dificuldade, culpa das sucessivas fracturas nas ancas, mas falava bem, e sobre tudo...
Lembro as correrias no quintal dela, os aventais brancos a corar em cima das ervas, o cheiro do sabão e a água gelada do tanque. Aquele quintal parecia enorme, cheio de recantos e esconderijos. Lá andavam sempre 2 ou 3 cães, os rafeiros como lhes chamava-mos, eu, a minha irmã e os meus primos... Éramos muitos... No fundo tinha uma arrecadação, a Casa Velha, onde se faziam os enchidos e se guardavam as sacholas, as foices e os carrinhos de mão que eram a nossa perdição. As escadas rangiam e os corrimões desfaziam-se em ferrugem. E as moedas... Latas e latas cheias de moedas antigas com um cheiro intenso a metal...
Havia um fumeiro, escuro, preto do fumo, mas com um aroma delicioso a salpicão, presunto, chouriços "de verde" , "de carne" e farinheiras... Hmmmmm!!!
Agora os cheiros já não me atraem, muito pelo contrário. O quintal está vazio e abandonado. O fumeiro está frio por causa das autoridades que querem tudo embalado e esterilizado. Já não há roupa a corar. Os corrimões desapareceram e as moedas também...
Como estará a avó Helena daqui a 1 ano?...
Começo a despedir-me... Será melhor assim...
Domingo fui lá, à minha terra natal, visitar a minha enorme família paterna.
A avó Helena está velhinha, tão velhinha que já quase nem me reconhece, que vive alheia ao mundo que a rodeia, o mesmo mundo que seguia atentamente, quer pelos jornais, quer pela TV, quer pelas conversas com a vizinhança... A avó Helena está seca... O corpo forte e esguio, de ancas largas e parideiras (como as minhas) e pernas magras e rijas, está agora contorcido e dobrado, enrolado, resignado...
Impressionou-me a facilidade com que lê sem óculos as letrinhas minúsculas dos livros de orações... Talvez as saiba já de cor de tantas vezes que as repete... Aquele livrinho é agora a vida dela...
Há um ano atrás a avó Helena ainda falava de tudo, caminhava mal, com dificuldade, culpa das sucessivas fracturas nas ancas, mas falava bem, e sobre tudo...
Lembro as correrias no quintal dela, os aventais brancos a corar em cima das ervas, o cheiro do sabão e a água gelada do tanque. Aquele quintal parecia enorme, cheio de recantos e esconderijos. Lá andavam sempre 2 ou 3 cães, os rafeiros como lhes chamava-mos, eu, a minha irmã e os meus primos... Éramos muitos... No fundo tinha uma arrecadação, a Casa Velha, onde se faziam os enchidos e se guardavam as sacholas, as foices e os carrinhos de mão que eram a nossa perdição. As escadas rangiam e os corrimões desfaziam-se em ferrugem. E as moedas... Latas e latas cheias de moedas antigas com um cheiro intenso a metal...
Havia um fumeiro, escuro, preto do fumo, mas com um aroma delicioso a salpicão, presunto, chouriços "de verde" , "de carne" e farinheiras... Hmmmmm!!!
Agora os cheiros já não me atraem, muito pelo contrário. O quintal está vazio e abandonado. O fumeiro está frio por causa das autoridades que querem tudo embalado e esterilizado. Já não há roupa a corar. Os corrimões desapareceram e as moedas também...
Como estará a avó Helena daqui a 1 ano?...
Começo a despedir-me... Será melhor assim...
Sem comentários:
Enviar um comentário