XLIV
Saberás que não te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem sua metade de frio.
Amo-te para começar a amar-te
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.
Amo-te e não te amo como se tivesse
nas minhas mãos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.
O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por iso te amo quando te amo.
[Pablo Neruda, in Cem Sonetos de Amor, oferecidos com todo o carinho do mundo, naquele fim de tarde confuso, num misto de nervoso miudinho, insegurança e vergonha da traição]
Pelo menos o meu "Pablo Neruda" já encontrou o seu rumo... E eu não sei se estou triste por mim ou feliz por ele...
terça-feira, 29 de abril de 2008
Neftal Ricardo Reyes Basoalto [Ou memórias de um Ponto... Apenas]
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário