terça-feira, 25 de novembro de 2008

Não sou capaz de escrever melhor...

[Porque eu, humildemente, também não faria melhor - Foto (também) de Ricardo]


Sobre Paris



Paris é a cidade do Amor. Um local encantado, procurado por Amantes. Paris é onde tudo pode acontecer, é o sítio onde a cada esquina espreita uma experiência inesquecível. Paris é... Lamento, mas Paris é uma ilusão.As cidades têm características, tal como as pessoas, os animais ou os objectos. Algumas são mais românticas do que outras, e Paris claramente é uma cidade romântica. Mas se visitamos Paris à espera de sermos invadidos por um sentimento que à partida não estava lá, teremos uma tremenda desilusão. A cidade tem muito a oferecer-nos: aprendizagem, cor, arte, exemplos de todo o tipo, diversão, espanto, cafés e bares. Tem tudo o que pensamos que teria. Mas não tem Amor. E, por paradoxal que isso possa parecer, é por isso mesmo que Paris para mim é a cidade do Amor.Porque o Amor não é algo mágico que se encontra naquela determinada pessoa (cidade). O Amor não é algo que apenas sentimos quando suge "a tal", ou a nossa alma gémea. Amar não é um estado bloqueado para todas as pessoas (cidades) menos para algumas. E o Amor não surge naturalmente só por estarmos com uma certa pessoa (cidade). Pelo contrário. Todas as pessoas (cidades) são a pessoa certa, mas o Amor só suge quando o fazemos surgir. O Amor é objectivo, porque existe, vê-se, nota-se, mas relativo, porque apenas quando fazemos que ele venha, ele chega. Amar não é aguardar passivamente um sentimento, é fazer tudo e de tudo pela outra pessoa (cidade), é percorrer o outro por dentro como nos percorremos a nós mesmos, é dedicarmo-nos e esforçarmo-nos até ao limite da exaustão por uma grande recompensa. A nossa recompensa é Paris.



Os Amantes que vão a Paris apenas têm duas escolhas. Se vão procurar o Amor, aprenderão tudo isto. Mas se vão viver o Amor que já sentem, terão dias maravilhosos. Reforçarão aquilo que os une em dias lindíssimos. Caminharão pela cidade fazendo planos de um dia ali viverem. Pararão em jardins para escrever. Regressarão com a sensação de aquela é a sua cidade.



Há algum tempo, alguém escreveu nas paredes de Lisboa "Paris em todo o lado". Necessitamos mesmo de Paris em todo o lado. Não no sentido da parede, mas no sentido que lhe estou a dar. Paris, a ideia, o conceito, a beleza do pensamento, não é um sítio físico. Paris está dentro de nós. Eu estive em Paris antes mesmo de lá ter ido. E espero viver em Paris para o resto da minha vida.




[Por Ricardo Teixeira, in Parafilias]

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