quarta-feira, 25 de março de 2009

E agora, mais uma vez: O MEC!

ANTES AS MULHERES, por Miguel Esteves Cardoso

Só quando os homens chegam a uma certa idade
é que podem dizer com certeza que as mulheres
são melhores do que eles em tudo – mesmo na
bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou
nas outras coisas em que ganhávamos quando
éramos mais novos e brutos e fortes.
Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são
melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas,
aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e
desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus
que seja assim. Os homens que discordam são os que
não foram capazes de aprender com as mulheres (por
exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade
ou estupidez. Geralmente as três coisas.
Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo
menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com
a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade – que
condescendia, por amor, em esconder de vez em quando
– tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são
melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos,
sabem que ganham em esconder a superioridade. Os
desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros
e sedentos de aprovação que se deixam treinar.
Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes,
nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito
mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem
que o exibicionismo vão leva à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas
é a verdade. E é bonita.


Público • Domingo 8 Março 2009 • 33

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