terça-feira, 8 de dezembro de 2009

As cordas da minha alma


Há quem diga que sou instável... É verdade, sou assim, pessoa de momentos, de instantes, porque o sangue corre-me nas veias, e qualquer coisa que me rodeia me toca, e se num momento expludo de alegria por um sorriso ou um encontro inesperado, no momento seguinte baixo a cabeça para esconder o brilho de lágrimas nos olhos, pelo mendigo com quem me cruzei ali há pouco.
Acho que já nasci assim, são os genes do meu pai, que é capaz de se privar de tudo para ajudar um irmão, mas também tenho o tempêro do sangue da minha mãe, de pulso firme e paredes de pedra dura que escondem um coração enorme de tal forma que por vezes parece nem existir...

Lembro-me da minha escola primária. Era na pequena aldeia onde nasci, pobre, perto da Igreja de Santa Eulália que batia os sinos a cada quarto de hora e do casarão assombrado que ainda hoje me arrepia só de olhar. Os "Sapos" viviam lá perto e eu admirava a coragem dela porque passava por lá todos os dias e não tinha medo. Fascinava-me. A minha mãe dizia para me afastar, por causa dos piolhos, mas eu preferia levar-lhe pequenos frascos do meu champõo e um pente... Também lhe oferecia meias, porque me custava muito ver que em pleno inverno ela usava sandálias de borracha, daquelas que eu usava no mar, para não ser picada pelos peixes aranha... E livros, emprestáva-lhe livros, que eram sempre devolvidos em muito mau estado, com manchas e cheiro a vinho... era o pai...

Aqueles sinos já faziam parte de mim e sim, sou assim, e é assim que gosto de ser, genuína, pura, verdadeira... Chamem-me louca se quiserem, eu prefiro acreditar que sou o espelho da minha alma doce, rica e muito forte...

Sem comentários: