terça-feira, 3 de maio de 2011

E porque não escrever uma carta?

Porque não escrever uma carta?

Imagino qual seria a tua reacção quando, ao abrir a caixa do correio depois do habitual passeio nocturno, encontrasse uma carta minha... Sorrio. Franzes as sombrancelhas e apressas-te a rasgar o envelope... e voilá... Quatro andares de escadas no centro de Lisboa nunca seriam tão lentamente subidos por ti...

Olá doce. Sim, sou eu. Resolvi escrever-te uma carta. Sabes bem que é muito mais fácil e expressivo para mim escrever do que falar. Mas não me refiro ao escrever de chats e SMS, porque essa escrita é perigosa e levanta muitos mal entendidos. Eu que o diga, e tu bem sabes, que nada é mais puro e verdadeiro do que os olhos nos olhos. No entanto, as circuntâncias da vida permitem fazer estas coisinhas românticas que carregam aquela carga sentimental tão especial. Escrever e escrever, mas tão diferente... 
Não sei se percebeste a minha visão positiva daquilo que tu só vês como entrave. A distância. Eu vejo-a como uma bela história de amor, tu como uma impossibilidade. E tão drástico tu és, que cortas qualquer possibilidade de seres feliz. Queres ser feliz? Pensa nisso...

Tenho imensas saudades tuas. Não há um único dia em que não pense em ti e no aconchego do teu peito que desejo ter todas as noites, mesmo que essas noites eternas e seguidas só se alcancem daqui a alguns anos. Como é bom pensar nisso...
A minha vida mudou um bocadinho nos últimos tempos. O novo emprego está a correr bastante bem, mas continuo na correria do costume. Eu sei, trabalho de mais, mas sempre ocupo o meu tempo, melhor do que desperdiça-lo com pessoas ou coisas que não valem um sopro. Este mês é sempre de muito trabalho, e é mesmo o que tenho feito. De vez em quando saio com uns amigos, bebo uns copos, dou de duas de treta e volto a enfiar a cabeça no sitio do costume (imagino o que te veio agora à mente, perverso!). Não posso abusar nem em comes nem em bebes, já lá vão 7 Kilos e estou quase quase a atingir o meu objectivo. Cada vez melhor, modéstia à parte...

Quando vens cá? Quando posso respirar de novo a paz das tuas gargalhadas? Quando terei de novo aquela dor de barriga saudável de tanto rir? Bem mais equilibrada do que a das borboletas desenfreadas?

Sim doce, eu sei. Cometi muitos erros em nome de um tremendo engano, mas pretendo corrigi-los. Preciso da mais importante oportunidade da minha vida, porque quero ser feliz. Depende de ti. Sou normalmente um ser generoso e estupidamente sincero, e muitas vezes esta ingenuidade volta-se contra mim. Sou assim, gosto de ser assim, não quero mudar, mesmo que a minha luta se dobre ou triplique. Sabes, tudo que é obtido com esforço tem um sabor diferente, mais doce e satisfatório.
Gosto de ti como és, com todas as tuas qualidades e defeitos, que pelo menos são verdadeiras, reais e palpáveis, e que me fascinam... Não, não desisto. 
A tua irmã diz que sou doida, que só gosto de homens complicados, mas acaba por concordar que os "descomplicados" são básicos e rapidamente perdem o interesse. É não, é? Mas também há os complexos poetas que quando se desmontam viram animais que apenas querem satisfazer as suas necessidades básicas. Há dias tivemos uma conversa fabulosa sobre este tema, que durou horas, enquanto todos os outros na festa estranhavam o que raio faziam duas raparigas solteiras e bonitas, sentadas a um canto em tão intrusada cavaqueira... Já nos rimos bastante às custas disso. 

Seja como for, aconteça o que acontecer, escrevi esta carta para te dizer que espero por ti...

Beso, com amor.

Ana   

Sem comentários: