sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fui viajar

Algures no País Basco, absorvida pela leitura que me escolheu para estas férias, uma pena (não sei bem de quê) caiu sobre as páginas do meu livro. Guardei-a entre as páginas. Também reparei que na primeira página estava escrito pela letra da minha mãe "Susaninha", e voei.

A Susaninha era uma prima, poucos meses mais nova do que eu. Era porque já não é, porque se foi tragicamente por vontade própria. Porque teria lido o "Onze Minutos"? Terá sido importante para ela? Este "lado" meu seria também dela?...

Mas a Susaninha não é assunto que me apeteça abordar agora. Nunca a percebi bem, não éramos próximas, apesar de ter uma adoração especial pela mãe dela, minha tia, claro. Mas este também não é o meu assunto de hoje.

Onze Minutos, Paulo Coelho.

Aqueles homens, tão poderosos e arrogantes nos seus trabalhos, lidando constantemente com empregados, clientes, fornecedores, preconceitos, segredos, falsas atitudes, hipocrisia, medo, opressão, terminavam o dia numa boîte, e não se importavam de pagar 350 francos suiços para deixarem de ser eles mesmos durante a noite.
"Durante a noite? Ora, Maria, estás a exagerar. Na verdade, são 45 minutos, e mesmo assim, se descontarmos tirar a roupa, fazer algum falso carinho, conversar alguma coisa óbvia, vestir a roupa, reduziremos esse tempo para ONZE MINUTOS de sexo propriamente dito"
Onze minutos. O mundo girava em torno de algo que demorava apenas onze minutos.


Confesso que rasguei um sorriso sarcástico quando li isto. Talvez devesse ficar triste por constatar a veracidade da coisa, mas achei piada. Normalmente acho piada a estas coisas. Será presunção?

Fui marcando algumas páginas com pequenas dobras, "porque dobras as páginas se tens um marcador", perguntava ele... Não expliquei. Não me dei ao trabalho.

Do Diário de Maria, num dia em que estava menstruada e não podia trabalhar:

Se eu tivesse de contar hoje a minha vida a alguém, poderia fazê-lo de tal maneira que me achariam uma mulher independente, corajosa e feliz. Nada disso: estou proibida de mencionar a única palavra que é muito mais importante do que os onze minutos - amor.
Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama plenamente.
E quem ama plenamente, sente-se livre.
Por causa disso, apesar de tudo o que posso viver, fazer, descobrir, nada faz sentido. Espero que este tempo passe depressa, para que eu possa voltar à busca de mim mesma - sob a forma de um homem que entenda, que não me faça sofrer.
Mas que disparate é este de que falo? No amor, ninguém pode magoar ninguém; cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.
Já me senti ferida quando perdi os homens por que me apaixonei. Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.
Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem a possuir.



Ah, o Guggenheim é um daqueles lugares onde se deve ir com a companhia certa. Como Paris. Ou como qualquer outro lugar....


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