Não sei quanto tempo depois volto. Carinhosamente tenho saudades dos meus tempos aqui. E volto, agora, mais ou menos perdida nesta aventura Africana, neste país de opostos, onde a beleza brota em qualquer esquina e onde tudo é negro.
O destino trouxe-me cá, as vicissitudes da vida, é o que é. E gosto de cá estar.
Não é fácil, sobretudo quando a minha pessoa mais minha está bem longe, na civilizada capital Portuguesa. Sim! Civilizada! Que saudades eu tenho daquele menina senhora do seu nariz, tão casmurra como doce, tão frágil como dura... Mas vejo-a crescer. Dia após dia. Até na sensibilidade...
Luanda é mel. As pessoas ora são doces e meigas, ora são frias e arrogantes. Como tudo. Como as casas, ora palácios imperiais, ora chapas de zinco montadas ao acaso em qualquer kimbo. Como os carros, ora Ford Mustang one billion dollar, ora candongueiros azuis e brancos a cair aos bocados. Ora meninos rechonchudos de sapatinhos brancos imaculados ora cassules descalços e ranhosos a pedir pão.
É assim a vida em Angola, de opostos, de contradições. Tantas vezes me vêm as lágrimas aos olhos e tantas vezes fico enfurecida com com tamanha estupidez e arrogância.
Ainda não consegui perceber o que os mwongolés sinceramente pensam de nós. Vejo que depositam esperança em nós, mas também sinto que não somos bem vindos. Tudo parece calmo e tranquilo mas sente-se o tic tac da bomba quase a explodir. Assusta. Dá que pensar. O zum zum silencioso vai-se escutando aqui e ali, para os mais atentos. Nem sempre somos bem olhados.
Mas aqui sou feliz. E não só por que tenho emprego e gosto do que faço, mas porque tenho a sorte de estar com a outra minha pessoa tão minha que é difícil perceber como é possível duas almas encaixarem tão bem. Somos a perfeição imperfeita, o diz - mata - esfola, o que lê a mente do outro, a carne quente, o sangue a ferver, o carinho, a cumplicidade, a birra matinal respeitada, o sentir ser desejada, a gula carnal... O destino é capaz de cada coisa... Quem diria que o fedelho chato que fazia questão de melgar enquanto o que eu queria era os beijos e amassos dos mais velhos, iria ocupar este lugar na minha vida...
E pronto. Só queria melancolizar um bocadinho.
Talvez volte.
Ou não.
domingo, 26 de março de 2017
Não sei quanto tempo depois
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